Por que fui gostar de futebol americano?

JJwat

Outro dia me perguntaram como que eu comecei a gostar de futebol americano. Na hora eu respondi: “por causa de uma camiseta e alguns cards”. Parando para pensar com calma, já faz tanto tempo isso que achei justo contar toda essa história, de um esporte que cada vez mais tem atraído a atenção do brasileiro.

1994 – O início.
Acho que tudo começou nessa época. Em uma viagem para os EUA minha mãe de presente me trouxe uma camiseta e uma flâmula de um time que tinha uma estrela prateada. Na época, achei legal aquilo. Eu devia ter uns 6 para 7 anos.

cowboys_helmet

A estrela prateada me fez sentir meio que um xerife. Eu gostava muito daquela camiseta. Usei até quase não caber mais em mim.

Descobri que aquele time era dos Cowboys de Dallas e era uma espécie de “super-time” daquele esporte. Coincidentemente, naquele ano, 1994, o time do capacete e estrela prateada foi o grande campeão.

cowboys_dreamteam

Era difícil para mim naquela época saber dos resultados e acompanhar os jogos; não tinha internet e tão pouco eu tinha TV a cabo.

Fiquei um bom período sem saber muito desse esporte. Mas a flâmula estava ainda presa na parede do meu quarto, e a camiseta eu ainda usava.


“Achava incrível aqueles caras, em um
jogo de força, velocidade, técnica, habilidade física, tanta coisa misturada
em uma coisa só.”


 

1999 – O time do tiozão
Já com TV a cabo eu conseguia assistir a reprise de alguns jogos que passavam na televisão na hora do almoço. Era perfeito. Eu voltava da escola e assistia aos VT’s. Nessa época foi que conheci mais sobre a grandeza desse esporte. Achava incrível aqueles caras, em um jogo de força, velocidade, técnica, habilidade física, tanta coisa misturada em uma coisa só. Nessa época descobri um time que tinha como logo um cavalinho, que parecia meio selvagem. E esse time tinha o uniforme com uma das minhas cores favoritas: o laranja. Ná época eu não sabia os nomes direito dos jogadores. Mas os admirava. O time era o Denver Broncos. Foi amor a primeira vista. O jogador principal era um tiozão que parecia estar quase se aposentando e era o único que eu sabia o nome, que pra mim na época era apenas John (por que eu não sabia nem pronunciar “Elway”, eu sempre me esquecia).

 

broncos

Mais uma vez, o time que eu simpatizava ia para a grande final e, não é que ganhou!

elway


 “Algo que interferia muito para que
eu acompanhasse NFL era
(não ter) a TV a cabo.”


Depois dessa época, voltei a ficar sem [TV a cabo]. E mais uma vez, acompanhar os jogos ficava mais complicado. Dessa vez já tinha esse negócio de internet, mas ainda era algo pouco desbravado na época e no máximo eu conseguia saber um ou outro resultado. O que ajudava de fato eram as fotos. Isso sim! Com a internet eu conseguia ver as fotos dos jogos e aquilo era algo que eu gostava muito de fazer. Eu gostava de imaginar como as jogadas teriam acontecido.

 

eagles

Lá pelos anos 2000, voltei a ter TV a cabo, mas por alguma razão a NFL tinha adormecido em mim. Não que eu tenha perdido o interesse, mas aquelas épocas de vestibular, aulas a tarde e cursinho, de certa forma me tiraram um pouco do foco no esporte. Alias, poucas pessoas (da minha idade naquela época) assistiam, ou entendiam do esporte, então realmente era dicicicil colocar esse assunto como grande pauta no meu dia-a-dia.

 

2009 – I’m back to the football
Voltei a assistir. Mas apenas assisti o Super Bowl e vi uma das jogadas mais sensacionais do esporte que até então eu teria visto. Um Pick6 (que é quando o jogador intercepta a bola e retorna para um touchdown) de James Harrison de 100 jardas. Foi algo tão épico aquilo! Foi a primeira vez que me dei conta de quão coletivo era aquele esporte. Quase todos os jogadores do Pittsburgh Steelers ajudaram Harrison a realizar aquela corrida (fazendo bloqueios nos jogadores do Arizona Cardinals). Logo após aquele jogo percebi que o futebol americano estava apenas adormecido em mim, e que eu gostava muito daquilo e que eu deveria assistir a temporada seguinte.

Só pra constar. A flâmula do Cowboys continuava pregada na parede do meu quarto.

2010 – O xerife que mudou minha vida
Logo no inicio da temporada vi um jogo de um time que eu nunca tinha assistido um jogo. Um time de azul, de Indianápolis. Na época, era um jogo contra o time dos Gigantes de Nova York. Um jogo que era entre irmãos (eu nunca tinha visto isso! achei incrível essa coisa de dois irmãos jogando em alto nível na NFL). Daí o irmão mais velho deu um passe de play-action para Dallas Clark (TE) e pronto, comecei a admirar aquele cara, número 18 do Colts. Manning, Peyton Manning era o nome do cara. Depois daquele jogo minha vida mudou. Com certeza.

manning

Achei ele tão incrível, líder nato, inteligente, sei lá..pra mim era como se ele fosse o Michael Jordan daquele esporte…uma espécie de Rogério Ceni do Indianapolis Colts.

Tentei acompanhar todos os jogos daquele time. E por sorte, o time que eu simpatizava, ia mais uma vez para o Super Bowl. Fomos para a final mas perdemos. Foi difícil. Queria muito ver aquele cara ganhar mais um anel (e eu não tinha visto primeira conquista dele).

manning

Por outro lado, tinha uma coisa muito bonita naquela vitória do Saints e para toda aquela comunidade de Nova Orleans.

saints


“Preferi pensar assim, que aquela vitória
dos Saints tinha algo realmente “santo” para aquele povo que tanto sofreu com o furacão Katrina.”


Nesse período de 2010, começou a acontecer uma coisa muito legal, e que talvez fosse o que faltava na época que eu tentava assistir aos jogos quando criança: conheci pessoas que também assistiam e conversávamos sobre aquilo. Daí, de repente, os papos de segunda-feira de manhã no trabalho não eram apenas de “como foi o jogo do São Paulo e Palmeiras”, mas sim, “cara, você viu o Monday Night?”, “Tom Brady jogou muito” e por aí vai.

patriots

Pois é, conheci pessoas que também gostavam de futebol americano e que assim como eu tinham seus times e ídolos. Nessa época eu conversava muito com um cara que era torcedor fanático do Washington Redskins, um outro que era torcedor fanático do Green Bay Packers e um outro que era torcedor do Dallas Cowboys. Juro, era muito legal conversar com gente que entendia muito sobre aquele jogo, sobre as jogadas, sobre os jogadores etc. Foi nessa época que percebi que eu deveria fazer algo a mais por esse esporte.

 


“Percebi que as pessoas gostavam de assistir futebol americano, no entanto, poucos entendiam das regras. E certamente, quando você consegue entender as regras desse jogo, é quase impossível não se apaixonar, não é?!”


Chamei esses meus dois amigos, o torcedor do Dallas e o do Green Bay e criamos uma pagina no Facebook, para falar sobre esse esporte. Uma maneira de divulgar mais e de certa forma, criar uma grupo de pessoas que tivessem interesse para participar das discussões.

 

pick6

Foi aí que eu 2012, criamos o “NFL PICK6”, o nosso blog de futebol americano. Era um jeito de levar aquele papo de segunda-feira que tinhamos no trabalho para mais pessoas. No inicio eram menos de 100 pessoas que participavam das nossas discussões. Hoje, somos mais de 22 mil loucos por futebol americano, homens, mulheres, crianças, todo mundo que gosta e admira esses esporte tão incrível.

Cada ano que passa meu amor por esse esporte cresce cada vez mais.

Tudo começou lá em 1994 com a camiseta do Dallas Cowboys.

A flâmula ainda esta pendurada na parede.

Obrigado futebol americano,

Te amo.

Lucas Bonini.

Leave a Comment